terça-feira, 12 de março de 2013

Desserviço à educação



Hélio Schwartsman - Folha de São Paulo - 09/03/2013 - São Paulo, SP
A mais fantástica tecnologia humana não é o computador nem o velcro, mas a escrita. Se um pensador antigo como Platão podia vê-la com desconfiança, por imaginar que destruiria a capacidade de memorização, hoje, 2.400 anos depois, sabemos que não é assim.
Não apenas não existiria civilização, se não dispuséssemos de uma forma de registro perene das ideias, como ainda há indícios de que a alfabetização modifica fisicamente o cérebro, criando rotas de comunicação entre diferentes regiões do córtex e ampliando a memória verbal, como mostra Stanislas Dehaene em seu `Os Neurônios da Leitura`.
O processo de alfabetização tem início já nos meses finais da gravidez, quando o feto vai se familiarizando com os ritmos e sons da língua materna, e só se encerra na adolescência, quando emerge um leitor tão experiente que mal presta atenção nas letras, processando-as em blocos e quase `adivinhando` o sentido das palavras. Entre os 5 e os 6 anos de idade, porém, ocorre uma fase crítica que precisa ser aproveitada. As crianças, que até então apenas memorizavam o formato de palavras especiais, como seus nomes, começam a perceber que a escrita alfabética envolve um jogo de sons. Está surgindo o que os especialistas chamam de consciência fonológica.
Embora os construtivistas não gostem, este é o momento em que o código alfabético precisa ser ensinado explicitamente, já que o processo de percepção dos fonemas não é automático nem natural. Deixar de fazê-lo atrasa e pode até comprometer a alfabetização, em especial a das crianças mais pobres, que já saem em desvantagem por terem sido menos estimuladas para a leitura.
Nesse contexto, a Câmara, com apoio do governo, prestou um desserviço à educação, ao rejeitar uma emenda à MP 586, que reduzia de 8 para 6 anos a idade ideal para as escolas alfabetizarem a garotada. Detalhe: a mudança só valeria em 2017.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Dilma destaca a valorização da profissão de professor

Dilma destaca a valorização da profissão de professor
RAFAEL MORAES MOURA - Agência Estado - O Estado de São Paulo - 05/03/2013 - São Paulo, SP
A presidente Dilma Rousseff defendeu nesta terça-feira a profissão de professor e a educação no País como caminho para superar a pobreza. `As crianças têm de ter educação no campo ou na cidade`, afirmou no 11º Congresso Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais.
Dilma espera que todos os recursos arrecadados com o pré-sal sejam direcionados para a educação. `O gasto com educação seria o destino de todos os recursos arrecadados pelo pré-sal. Tem de gastar em educação e gastar muito`, declarou.
A presidente destacou o papel do mestre no processo e disse que é preciso gastar dinheiro com o professor, porque é quem ensina a criança. Dilma voltou a falar dos recursos do pré-sal e reiterou que todo o fundo social do pré-sal deva ser destinado primeiro para a educação.
`Daqui a 10 anos a gente vê onde bota, dá para botar um pouco mais em algum lugar. Ou botamos muito dinheiro na educação ou nosso País não vai crescer o que pode`, enfatizou.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Escolas lutam contra violência escolar

Escolas lutam contra violência escolar
Marcello Ribeiro, do O Globo - Portal Aprendiz - 26/02/2013 - São Paulo, SP
Atingido com um pequeno vaso de plantas na cabeça, o professor de História Antonio Mario Cardoso da Silva foi para o pronto-socorro e fez boletim de ocorrência na polícia. O autor da lesão corporal: um aluno. A agressão aconteceu numa escola pública de Diadema, na Grande São Paulo, há cerca de um ano, e foi presenciada pela mãe do estudante. Horas antes, o jovem, da 6ª série do ensino fundamental, havia sido repreendido por Silva por mau comportamento.
— Se fosse um objeto maior, ele poderia ter me matado — diz o professor.
Como esse, casos de agressão física entre professores e alunos têm se repetido nas escolas públicas e privadas de todo o país. Segundo dados do Ministério da Educação (MEC) tabulados pela Fundação Lemman e pela Meritt Informação Educacional, 4.195 professores de Língua Portuguesa e Matemática que dão aulas para alunos de 5º e 9º ano do ensino fundamental disseram que foram agredidos fisicamente por estudantes dentro de colégios em 2011. O número representa 1,9% dos 225 mil docentes que responderam a questionário aplicado durante a Prova Brasil, exame realizado pelo MEC.
Para tentar reduzir os episódios de violência no ambiente escolar, colégios de todo o país estão oferecendo cursos de resolução de conflitos para professores e alunos, e apostando nas técnicas de mediação para promover o diálogo e evitar o confronto.
O levantamento das respostas da Prova Brasil mostra que o número de professores agredidos em 2011 é similar ao de 2007, quando 2,3% dos docentes (6.677) afirmaram que foram agredidos por alunos.
Professora por 23 anos, Nádia de Souza Barbosa, de 56 anos, foi agredida por um aluno de 5ª série, que bateu a porta da sala três vezes em suas costas. Dias depois, foi ameaçada pelo irmão do aluno, e a parede da sala de aula foi pichada com o desenho de um fuzil. Segundo Nádia, na escola pública onde ela dava aulas, na Zona Sul do Rio, por diversas vezes alunos jogavam urina nos professores do alto de uma escada. Nádia acabou sendo aposentada.
— O médico me diagnosticou com depressão, síndrome do pânico e transtorno de estresse pós-traumático. Fiquei mais de dois anos em tratamento. Não tenho mais condições de voltar às salas de aula — disse a professora aposentada de História.
Para tentar reagir aos casos de violência, sindicatos de professores no país têm criado canais para receber denúncias dos docentes. O Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais, que representa professores de escolas particulares, recebeu uma denúncia de violência nas escolas a cada três dias entre 2011 e 2012, incluindo agressão física, verbal e dano ao patrimônio.
O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) estima que os casos de agressão a professores estejam crescendo cerca de 20% a cada semestre. Entre 2008 e 2011, o sindicato recebeu 157 denúncias de agressão, roubo, vandalismo e ameaças em escolas paulistas.
Mas também há casos de agressões contra alunos. No questionário, 3.327 professores (1,5%) relataram que em 2011 houve agressão física contra aluno cometida por professor na escola em que atuavam. Em 2007, 4.197 professores (1,62%) relataram que alunos foram agredidos fisicamente por docentes.
Foi o que aconteceu com uma aluna de 11 anos de uma escola municipal do Rio em 2010, quando um professor jogou um apagador no rosto dela durante a aula. O caso foi noticiado pela imprensa, e o professor foi transferido para outra escola. A família desistiu de entrar com ação por danos morais por temer represálias e a transferência da garota para um colégio longe de casa.
— Mas até hoje chamam ela de “garota do apagador” na escola — conta a advogada da família da adolescente, Consuelo de Freitas.
Na tentativa de diminuir os casos de violência no ambiente escolar, colégios de vários estados do país estão investindo na formação de educadores para que eles saibam lidar melhor com a questão. No Rio, muitas escolas têm optado por oferecer cursos de mediação para professores e alunos, para que eles priorizem o diálogo para resolver os conflitos.
Educadores de cerca de 150 escolas estaduais e privadas já fizeram curso de mediação escolar promovido pelo Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), incluindo colégios como Teresiano e São Bento. Segundo a desembargadora Leila Mariano, responsável pelo projeto do TJ-RJ, o número de casos de violência na escola que chegam ao Judiciário impressiona. Para ela, muitas vezes uma sentença judicial não é o suficiente.
— Nas escola, as relações são continuadas. A professora e o aluno que brigam estão ali no dia seguinte. Se a gente não tentar resolver o problema emocional deles, a questão não vai parar ali — diz a desembargadora.
Desde 2011, alunos, diretores, professores de escolas municipais têm recebido treinamento sobre resolução de conflitos, abordando temas como mediação e justiça restaurativa. Os cursos já foram oferecidos a docentes e estudantes de cerca de 60 colégios e em 2013 devem chegar a outras 20 escolas localizadas em áreas conflagradas ou recém-pacificadas. Além disso, inspetores de disciplina também receberão treinamento.
— Os alunos (que passaram pelo treinamento) já começaram a disseminar na escola um comportamento diferente. Eles ensinam os colegas a aprender a ouvir — disse André Ramos, responsável pelo programa Escolas do Amanhã, da prefeitura do Rio.
No Pará, 300 professores e assistentes sociais de escolas estaduais farão curso de especialização de um ano e meio para saber lidar com as diversas formas de violência na escola.
— Queremos construir planos de convivência na escola — contou Izabela Jatene, coordenadora do programa Pro Paz, do governo do Pará.
Professores relatam uso de armas
Respostas de professores a questionários aplicados durante a Prova Brasil — exame do Ministério da Educação (MEC) — nos últimos anos mostram que as armas estão presentes nas escolas. Segundo 1.929 docentes que lecionam Língua Portuguesa e Matemática para alunos de 5º e 9º ano do Ensino Fundamental, alunos frequentaram a escola portando arma de fogo em 2011. O número corresponde a 0,85% do total de 224.743 respostas válidas dadas por professores ao questionário da Prova Brasil. Além disso, 9.079 professores disseram que, em 2011, houve casos de alunos que entraram na escola com facas e canivetes.
Em 2007, 3.247 professores (1,14%) responderam que alunos entraram na escola com armas de fogo, e 14.855 (5,17%) contaram que haviam visto estudantes com facas e canivetes. Os dados são do MEC foram tabulados pela Fundação Lemman e pela Meritt Informação Educacional.
Em abril de 2011, 12 crianças foram mortas, e 12 ficaram feridas depois que um ex-aluno entrou na escola Tasso da Silveira, em Realengo (RJ), e atirou. Wellington de Oliveira, de 23 anos, invadiu o prédio com dois revólveres, cometeu o massacre e se matou.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

10 assuntos que não podem faltar na agenda da dupla gestora

Pelo menos uma vez por semana, diretor e coordenador pedagógico precisam se encontrar para falar sobre o planejamento da escola. Veja quais são os temas mais importantes a tratar

 
Nos corredores, no pátio ou na sala dos professores, diretor e coordenador pedagógico se encontram todos os dias. Nessas ocasiões, trocam comentários sobre o que está acontecendo no momento na escola, tratam de problemas pontuais e até decidem sobre alguma questão rapidamente, ali mesmo, em pé. Porém essas conversas breves não podem ser a tônica do contato entre os dois. Para assumirem definitivamente o papel de gestores que lhes cabe, os educadores que ocupam essas funções precisam se corresponsabilizar pelos rumos do ensino oferecido na unidade, discutirem os problemas e, juntos, encontrarem as soluções.

Para tanto, é interessante reservar um horário específico para que eles possam se sentar com calma, analisar os dados da escola e empreender as iniciativas necessárias. As reuniões periódicas entre a direção e a coordenação pedagógica são a maneira mais profissional de consolidar essa relação.

Mas por que toda essa formalidade? Ela é necessária? Sim, pois os encontros marcados - o recomendado é que eles aconteçam, no mínimo, uma vez por semana, de preferência em dias fixos - dão importância à parceria entre os gestores, ajudam a otimizar o tempo e impedem que assuntos de menor importância se sobreponham aos mais relevantes - que devem estar na pauta das reuniões. "Sem essa rotina, os imprevistos acabariam preponderando e as interrupções no dia a dia seriam tantas que não sobraria tempo para cumprir as atividades planejadas. E, no improviso, a discussão não adquire profundidade", argumenta Débora Rana, selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10 na Categoria Gestor, e formadora de professores e coordenadores pedagógicos do Instituto Avisa Lá, em São Paulo.

Assuntos a tratar é que não faltam - como você vai ver nesta reportagem. Juntamente com consultores e duplas gestoras que já vivenciam uma rotina em comum, selecionamos os dez principais temas que devem estar sempre presentes na agenda conjunta desses líderes. Conheça também a história de algumas equipes que conseguiram planejar com mais clareza as ações pedagógicas para a escola depois de instituir o hábito de se reunir com frequência.

1 Organização do calendário escolar
Esse é um dos principais tópicos da pauta das reuniões, já que é preciso organizar a rotina interna, adequando as semanas de provas, as reuniões de pais, a entrega das notas e as finalizações dos projetos didáticos ao calendário fixado pela Secretaria de Educação. Vale lembrar que o planejamento dos professores para cada turma depende dessas definições. Durante as conversas semanais entre direção e coordenação, verifica-se se o cronograma está em ordem ou se é preciso revê-lo. Caso um feriado ou um programa de formação externo coincidam com um encontro pedagógico semanal, uma data alternativa será escolhida. Ela precisa se encaixar tanto no planejamento elaborado pelo coordenador como na organização do uso dos espaços - supervisionada pelo diretor.

2 2 Revisão do projeto político-pedagógico (PPP)
Esse documento - que traz os objetivos da instituição e os meios para alcançá-los - pressupõe uma revisão periódica. Uma ou duas vezes por ano, o assunto entra na pauta dos gestores para que eles identifiquem os passos seguintes para alcançar as metas e planejem as assembleias para debater as mudanças (como será a participação da equipe, como tornar o debate mais produtivo, o número de encontros etc.). E, depois de tudo isso, é preciso ainda definir quem vai formalizar e supervisionar as alterações no documento.
Equipe grande exije mais organização. Foto: Raoni Madalena
Equipe grande exije mais organização Na EE Nidelse Martins Almeida, em Carapicuíba, na Grande São Paulo, as decisões eram tomadas à medida que as demandas surgiam. Até porque, com uma equipe pequena, não era difícil conciliar horários com pouca antecedência. Porém, a partir de 2008, quando o grupo foi ampliado, isso ficou impossível. A diretora Maria Helena Guedes (em pé) percebeu que era preciso instituir um dia fixo para as reuniões: "Hoje, preparamos as formações, fazemos um balanço da semana anterior e checamos se as atividades previstas exigem ajustes".
 
3 Análise de resultados dos alunos
O desempenho dos estudantes norteia as ações da escola, por isso o tema vai estar sempre presente nas reuniões. O coordenador deve sistematizar em tabelas os resultados de avaliações internas e externas, o aproveitamento dos alunos nas atividades em sala e o progresso das turmas em um período e, em seguida, analisá-los com a direção. "O diretor está mais atento a questões extraclasse e esse olhar pode indicar novas soluções para um problema", diz a coordenadora Mônica Guerra, da Associação Parceiros da Educação, em São Paulo.

4 Elaboração de projetos institucionais
A escolha dos temas e das abordagens dos projetos está diretamente vinculada ao item anterior e à análise criteriosa que os gestores devem fazer para que as iniciativas estejam em consonância com as orientações do PPP. Ideias vindas da equipe ou dos professores, que colaborem para que os objetivos da escola sejam atingidos, podem ser integradas ao cronograma pela coordenação e ao planejamento da direção, que deverá prever os materiais necessários para a concretização das propostas. Se uma delas, por exemplo, previr atividades no contraturno, a equipe gestora terá de checar se existe sala vaga ou um espaço adequado e se é preciso ter um professor presente ou se um monitor dá conta de acompanhar os estudantes. A finalização do projeto, igualmente, demanda decisões conjuntas sobre a exibição da produção dos alunos e a participação da comunidade.

5 Formação dos professores em serviço
Esse assunto também costuma figurar na maioria dos encontros. Como responsável pela formação de professores, o coordenador pedagógico detecta rapidamente as necessidades da equipe docente - o que pode ser percebido inclusive com a análise dos resultados dos alunos. "Os registros dos professores e dos próprios coordenadores, feitos durante as observações das aulas, dão uma base mais concreta à tomada de decisão da dupla", explica Silvana Tamassia, consultora educacional e formadora na Fundação Lemann, em São Paulo. Muitos diretores até participam de reuniões dos formadores com os professores, mas isso não é obrigatório. O importante é que os gestores estejam de acordo com o foco definido, decidam como atender às necessidades de trabalho do coordenador pedagógico, providenciem um espaço específico, disponibilizem projetores de vídeo e busquem apoio junto à equipe técnica da Secretaria da Educação.


Em sintonia com a rede de ensino. Foto: Diana AbreuEm sintonia com a rede de ensino Até 2009, qualquer informação da Secretaria de Educação era repassada ao quadro docente da EMEI Antônio Roberto Feitosa, em Venda Nova, a 110 quilômetros de Vitória, por intermédio da direção, sem a participação de coordenadores. Isso fazia com que as orientações da rede nem sempre ficassem alinhadas ao PPP, prejudicando a compreensão por parte dos professores. A dupla gestora decidiu, então, sistematizar reuniões semanais e passou a tratar dos assuntos da Secretaria nos encontros de formação. "Hoje, para apresentar um projeto didático, discutimos qual será o foco e procuramos referências de escolas que fizeram ações semelhantes", diz a diretora, Teresa Margarida Hupp (de branco).
 
6 Diálogo constante com a Secretaria de Educação
As orientações da rede de ensino sobre as políticas públicas devem ser discutidas pelos gestores de cada unidade para que haja consenso sobre como elas serão apresentadas aos docentes e incluídas na pauta de formação. Da mesma forma, as necessidades dos professores que dependam de providências da Secretaria devem ser levadas pelo coordenador ao diretor para que faça a interlocução com a rede. Dessa maneira, ele terá informações mais detalhadas para fundamentar a requisição de, por exemplo, um profissional de Atendimento Educacional Especializado - cuja necessidade fica clara em registros de aulas da equipe docente - ou de cursos de atualização ou extensão, que se mostram importantes para o planejamento da formação elaborado pela coordenação.

7 Preparação do Conselho de Classe
Para essa reunião, que costuma estar na pauta da dupla gestora até quatro vezes por ano, é necessário retomar os registros dos diagnósticos e observar outros dados além das notas, como se os dias letivos do bimestre foram cumpridos. Para que o conselho se torne, de fato, um momento formativo, é essencial partilhar informações, observar as dificuldades institucionais e prever estratégias - quais serão as metas e a quem serão delegadas as missões.

8 Aquisição, uso e conservação de materiais
O que comprar, para que e como usar os materiais pedagógicos são questões que diretor e coordenador terão de responder juntos - e decidir também. Por isso, esse tema reaparece a cada nova demanda. O coordenador identifica as necessidades dos alunos e avalia o que precisa ser adquirido com mais urgência. Para evitar desperdício ou subutilização, os recursos - os adquiridos com verba própria e os recebidos pela rede - têm seus usos planejados nas reuniões da equipe gestora, garantindo que todos os alunos tenham acesso a eles. "Não se forma leitores com a biblioteca fechada", argumenta Neurilene Martins, coordenadora pedagógica do Instituto Chapada de Educação e Pesquisa (Icep).


Decisões administrativas a favor da aprendizagem. Foto: Raoni MadalenaDecisões administrativas a favor da aprendizagem Quando foi inaugurada, em 2009, a EMEF Conjunto Habitacional Sítio Conceição II, em São Paulo, pedia alguns reparos. Era preciso pintar paredes, trocar o piso e adquirir materiais. Graças aos encontros semanais com a coordenação pedagógica, o diretor, Anderson Adelmo, conseguiu identificar as prioridades de investimento para garantir o conforto na sala de aula. "Assumimos um espaço antigo e, para mim, a troca das lousas parecia ser o mais urgente. Mas, nas reuniões com os docentes, a coordenação apurou que os alunos se desconcentravam muito pela luz forte da tarde que entrava pela janela. Decidimos, então, comprar cortinas", conta Anderson.
 
9 Articulação com as famílias
Das reunião de pais às festas na escola, tudo passa pelo crivo da direção e da coordenação pedagógica - atentos sempre para saber se os eventos cumprem a finalidade de envolver a família na aprendizagem dos filhos e de divulgar o PPP. As reuniões de pais pedem uma atenção maior, pois é preciso decidir os assuntos a discutir e como abordá-los. Que pontos do currículo, e fora dele, devem ser debatidos? "Temas sem relação direta com o aprendizado, como drogas e violência, que são de interesse dos pais, podem influenciar o processo de ensino", relata Regina Giffoni Brito, professora da pós-graduação do departamento de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

10 Mobilização dos segmentos escolares
Ao liderar os profissionais que trabalham na instituição, o diretor torna-se responsável por criar um fluxo de comunicação com cada segmento. O coordenador pedagógico, por acompanhar a prática docente, traz detalhes sobre a motivação e o desempenho dos professores, enriquecendo o repertório do gestor para dar devolutivas consistentes ao grupo. A pauta dos encontros com os funcionários, quando preparada pelo diretor e o coordenador, ganha um viés formativo. "Discutir as refeições com as merendeiras é também falar de alimentação saudável, um tema curricular. Daí a importância da articulação entre o administrativo e o pedagógico", diz Heloísa Lück, diretora do Centro de Desenvolvimento Humano Aplicado (Cedhap), em Curitiba.

O que é o projeto político-pedagógico (PPP)

O PPP define a identidade da escola e indica caminhos para ensinar com qualidade. Saiba como elaborar esse documento 

 

Toda escola tem objetivos que deseja alcançar, metas a cumprir e sonhos a realizar. O conjunto dessas aspirações, bem como os meios para concretizá-las, é o que dá forma e vida ao chamado projeto político-pedagógico - o famoso PPP. Se você prestar atenção, as próprias palavras que compõem o nome do documento dizem muito sobre ele:
  • É projeto porque reúne propostas de ação concreta a executar durante determinado período de tempo.
  • É político por considerar a escola como um espaço de formação de cidadãos conscientes, responsáveis e críticos, que atuarão individual e coletivamente na sociedade, modificando os rumos que ela vai seguir.
  • É pedagógico porque define e organiza as atividades e os projetos educativos necessários ao processo de ensino e aprendizagem.

Ao juntar as três dimensões, o PPP ganha a força de um guia - aquele que indica a direção a seguir não apenas para gestores e professores mas também funcionários, alunos e famílias. Ele precisa ser completo o suficiente para não deixar dúvidas sobre essa rota e flexível o bastante para se adaptar às necessidades de aprendizagem dos alunos. Por isso, dizem os especialistas, a sua elaboração precisa contemplar os seguintes tópicos:
  • Missão
  • Clientela
  • Dados sobre a aprendizagem
  • Relação com as famílias
  • Recursos
  • Diretrizes pedagógicas
  • Plano de ação

Por ter tantas informações relevantes, o PPP se configura numa ferramenta de planejamento e avaliação que você e todos os membros das equipes gestora e pedagógica devem consultar a cada tomada de decisão. Portanto, se o projeto de sua escola está engavetado, desatualizado ou inacabado, é hora de mobilizar esforços para resgatá-lo e repensá-lo (leia as dicas práticas). "O PPP se torna um documento vivo e eficiente na medida em que serve de parâmetro para discutir referências, experiências e ações de curto, médio e longo prazos", diz Paulo Roberto Padilha, diretor do Instituto Paulo Freire, em São Paulo.